Relatório de avaliação, calculadora, chaves e fita métrica organizados numa mesa
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Avaliação Bancária Abaixo do Preço da Casa: O Que Fazer

FRANETIC Real Estate Agency1 de agosto de 202611 min de leitura
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Perceba como o menor valor entre preço e avaliação afeta o financiamento, calcule a diferença real e organize as opções antes de decidir.

Em resumo

  • O banco calcula o LTV sobre o menor valor entre preço e avaliação.
  • A diferença real inclui capitais próprios, impostos, custos e reserva.
  • Uma avaliação baixa não cria automaticamente um direito de saída do CPCV.

Uma avaliação abaixo do preço acordado não prova, por si só, que a casa está cara. Mas altera a base que o banco usa para calcular o financiamento e pode aumentar significativamente os capitais próprios necessários para concluir a compra.

O erro mais comum é olhar apenas para a percentagem anunciada pelo banco. Primeiro é preciso identificar sobre que valor essa percentagem será aplicada e depois somar impostos, formalização, seguros e reserva financeira.

Resposta rápida: calcule a diferença antes de reagir

Segundo o Banco de Portugal, o valor do imóvel usado no rácio LTV corresponde ao menor entre o preço de aquisição e o valor da avaliação. Os limites indicados são máximos prudenciais, não uma obrigação de o banco financiar essa percentagem.

Num exemplo meramente ilustrativo:

ElementoValor
Preço acordado250 000 €
Avaliação bancária220 000 €
Base considerada220 000 €
90% da base198 000 €
Diferença até ao preço52 000 €

À diferença de 52 000 € ainda se juntam impostos, registos, custos de crédito, seguros e outras despesas. O financiamento efetivo pode também ser inferior ao máximo do exemplo, dependendo da solvabilidade, finalidade, política do banco e condições da proposta.

1. Leia o relatório, não apenas o valor final

Peça o relatório completo e verifique:

  • identificação, áreas e anexos considerados;
  • uso, estado de conservação e qualidade construtiva;
  • comparáveis escolhidos e respetivas localizações;
  • ajustamentos feitos pelo perito;
  • limitações de acesso ou documentação;
  • obras ainda não licenciadas ou não refletidas no registo;
  • data da visita e do relatório.

O Portal do Cliente Bancário esclarece que a instituição deve disponibilizar cópia do relatório e dos documentos da avaliação no prazo de dez dias após os receber. Se encontrar um erro factual, reúna prova objetiva: planta, certidão, licença, fotografias, contrato ou outro documento aplicável.

2. Separe quatro valores que não significam o mesmo

  • Preço pedido: valor inicialmente anunciado.
  • Preço acordado: valor negociado entre comprador e vendedor.
  • Avaliação bancária: estimativa para a garantia e risco do crédito.
  • Valor para si: resultado da utilidade, condição, localização, alternativas e orçamento total.

Uma avaliação não substitui uma inspeção técnica, não confirma licenciamento e não determina o preço de mercado com certeza. É uma peça da decisão de crédito.

3. Refaça o orçamento completo

Construa três cenários — esperado, prudente e limite — incluindo:

  • capitais próprios para completar o preço;
  • IMT e Imposto do Selo aplicáveis;
  • custos de crédito e formalização;
  • seguros e mudança;
  • obras imediatas;
  • reserva após a compra.

Não use toda a liquidez para cobrir a diferença. Uma compra que só fecha eliminando a reserva para imprevistos pode não ser financeiramente segura.

4. Confirme o que o CPCV prevê

Leia a cláusula de financiamento, datas, prova exigida e consequências de não obter o montante necessário. Uma condição genérica ou inexistente pode não proteger o comprador.

Não presuma que uma avaliação baixa permite desistir e recuperar automaticamente o sinal. Peça revisão jurídica do texto concreto antes de tomar uma decisão ou deixar passar um prazo.

Consulte a nossa checklist do CPCV antes de assinar e o guia do crédito aprovado até à escritura.

5. Opções possíveis, por ordem de disciplina

Corrigir erros objetivos

Se o relatório omitiu uma área, anexo ou característica documentada, apresente a informação ao banco por escrito.

Pedir esclarecimento ou segunda avaliação

O Banco de Portugal indica que pode reclamar por escrito sobre o resultado e fundamentação e pedir uma segunda avaliação, suportando o respetivo custo. A decisão de conceder ou não crédito continua, porém, a pertencer à instituição.

Usar um relatório de outra instituição

Pode propor um relatório emitido há menos de seis meses, elaborado a pedido de outra instituição por perito registado na CMVM, desde que cumpra os requisitos. A informação oficial explica também as condições de recusa e comunicação pelo banco.

Renegociar o preço

Apresente o impacto real sem transformar a avaliação numa verdade absoluta. O vendedor pode aceitar, recusar ou propor outra solução.

Aumentar capitais próprios

Só faz sentido se o valor continuar justificado, a documentação e condição estiverem validadas e restar uma reserva confortável.

Comparar outra instituição

Outra avaliação ou política de risco pode produzir um resultado diferente, mas gera tempo, custo e não garante aprovação.

Não avançar

Se a diferença expõe o comprador a um esforço excessivo, se surgiram dúvidas técnicas ou se o CPCV permite uma saída adequada, não concluir pode ser a decisão mais prudente.

Checklist de decisão em 24 horas

  • Tenho o relatório completo e identifiquei a causa da diferença.
  • Calculei capitais próprios, impostos, custos e reserva.
  • Confirmei por escrito o montante efetivamente aprovado.
  • Revisei a cláusula de financiamento e os prazos do CPCV.
  • Separei erro factual de divergência de opinião.
  • Comparei renegociação, segunda avaliação, outro banco e não avançar.
  • Não decidi apenas para evitar “perder” custos já pagos.

Este artigo é informação geral. O banco decide o crédito; a situação contratual deve ser revista por profissional jurídico e a condição do imóvel por técnicos adequados.

Fontes oficiais e referências

Ligações consultadas e citadas no texto. Confirme sempre a versão atual aplicável ao seu caso.

Nota editorial

Conteúdo preparado pela FRANETIC com base em fontes identificadas. Informação geral; temas jurídicos, fiscais, bancários, técnicos ou urbanísticos exigem validação para o caso concreto.

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